TUDO O MAIS PERMANECE O MESMO E E ELES ERAM ELES MESMOS?

Francisco Medeiros dirige dois espetáculos no SESI

O caos urbano com questionamentos do cotidiano e as escolhas para traçar o caminho na juventude estão em cena nos espetáculos Tudo o Mais Permanece o Mesmo e E Eles Eram Eles Mesmos? Ambos tinham direção de Francisco Medeiros  no Centro Cultural FIESP, sala Ruth Cardoso.  

Tudo o Mais Permanece o Mesmo – Direção: Francisco Medeiros. Texto de Teresa Borges

Na trama, mãe, filha e filho estão na sala de espera de um consultório médico. A peça se passa nesse instante, onde os acontecimentos vão se desenrolando de forma não linear. Os personagens são confrontados com problemas a serem encarados, seja externos ou internos, em uma série de permanente recomeço.

“O espetáculo instaura uma condição de coeteris paribus, uma expressão em latim que significa “todo o resto permanece constante”. Nesse estado, diferentes acontecimentos irrompem o ambiente e com isso podemos ver como seria a reação daquele núcleo nestas diferentes circunstâncias”, conta a dramaturga.

O cenário procurou ao mesmo tempo trabalhar com signos reconhecíveis e com o espaço vazio para que fosse preenchido pelo texto e pelos atores. O figurino fugiu do realismo e trabalha com uma ambiguidade de farrapos e camisa de força.

Outro propulsor para a dramaturgia foi a obra de Alberto Camus, O Mito de Sísifo. “A sensação de repetição de um mundo absurdo a ser encarado cotidianamente, o impulso de não mais existir e como se procura entender a natureza da vida estão presentes na escrita. É uma tentativa de experimentar na ficção, com personagens ficcionais, o ser humano cotidiano, médio, brasileiro, numa dada situação política do país e com muita liberdade para o absurdo e os dramas familiares”, conta Teresa Borges.

Eles Eram Eles Mesmos? –Direção: Francisco Medeiros. Texto de Vinicius Garcia Pires

Um bando de jovens investiga maneiras e possibilidades de ações para “mudar o mundo”, ou para descobrir o que pode fazer para construir um lugar melhor para se viver. Ou que seja, pelo menos, diferente de como está aqui e agora. Vários planos narrativos se sucedem de maneira não linear. Um enredo simples explora diferentes perspectivas de olhar sobre a juventude, sobre o desejo de mudança, sobre o perfil a espera e da esperança nos dias de hoje: uma obra teatral que conduz repentinamente seus personagens a um contato inesperado com a existência e as necessárias escolhas de caminhos.

Usando essa circunstância como ponto de partida, Vinicius Garcia Pires constrói uma obra interessada pela coralidade – procedimento dramatúrgico muito frequente na cena contemporânea.

As peças são resultado da formação de novos talentos revelados pelo Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council e pelo Núcleo Experimental de Artes Cênicas do SESI-SP – sob coordenação e assistência de Marici Salomão e César Augusto; Miriam Rinaldi e Joaquim Lino, respectivamente -, as peças abordam a temática das mudanças em dois contextos diferentes.

Os pontos de união entre as peças são, primeiramente, a palavra “mesmo” nos dois títulos, o que simboliza a inquietação diante da mesmice da vida, de acordo com o diretor. Em segundo lugar, a preocupação em investigar o que é capaz de instigar o público, mas cada texto a seu modo. Segundo Francisco Medeiros, as obras foram feitas para abrir caminho para diversas interpretações e múltiplas leituras, característica muito forte da arte contemporânea.

O terceiro e último ponto é que os dois textos, embora diferentes, são trabalhos extremamente complexos, baseados fortemente no texto. “Com certeza o público não vai ser convidado a se encontrar com coisas usuais, pois essas obras encaram o público como sendo parceiro de sua autoria, ou seja, a obra não se explica, então cada um da plateia deve fazer a sua leitura”, afirma o diretor.

 

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