PORNOÁUDIO – CIA ESCOMBRO

Com dramaturgia e direção de Teresa Borges, a Cia do Escombro realizou a temporada da comédia Pornoáudio no Espaço Parlapatões.

A trama é uma comédia do absurdo ao mostrar um embate entre as escolhas cotidianas e os impulsos amorais do corpo e dos desejos por meio de dois núcleos: o primeiro envolve uma ex-atendente de telesexo, um homem e um homem-cachorro. O segundo traz um casal à espera de um filho com uma vida bem tradicional, que valoriza o crescimento profissional, a construção de um lar com crianças, a compra da casa própria.

“Em cena, o que queremos e o que podemos está implícito nas ações de cada personagem. Todos dizem uma coisa e fazem outra, é como se o desejo e a vontade estivessem sempre camuflados sob um verniz social, mas sempre a ponto de explodir. Existe uma libido velada, latente e pulsante por baixo do que aparentam ser. O encontro entre os dois lados é o que interessa como ação, pois eles personificassem um enfrentamento entre o socialmente aceito e aquilo que transgride”, conta Teresa Borges.

A comédia é inserida em todos os aspectos gritantes e exagerados da montagem. Até o próprio trabalho dos atores transitam entre o realismo e o grotesco. A concepção de direção procurou reunir uma multiplicidade de criações entre todos os profissionais envolvidos no processo da peça. Os elementos cenográficos e figurino ganham um tratamento do absurdo para dialogar com o teor do texto. Mesmo com essa característica, não se trata de fantasia, é a interpretação do mundo.

Segundo a diretora, a inspiração para a dramaturgia veio por meio de experiências do cotidiano. “Me inspirei em uma época da minha vida em que eu transitava em dois mundos opostos, onde eu via esta contradição existente nos lugares que frequentava. De um lado, à luz do dia, o mundo do trabalho, da escola, das pessoas indo e vindo atarefadas e cercando-se das razões práticas para gerir suas vidas. De outro, à noite, frequentando locais mais boêmios, no mundo daqueles que estão em busca de algo que vá além desta “normatização” do viver, uma realidade com ânsia pela loucura, pela insensatez”.

Cia do Escombro leva esse nome porque pretende no seu percurso lidar com propostas artísticas que tenham o desmantelamento e o desmanche como foco de interesse. O escombro que fica após o ápice de tudo, dos valores, dos relacionamentos, das tradições, aquele momento em que o edifício moral desabou e sobra tempo antes da faxina e da reconstrução para refletir sobre a condição humana.

Ficha Técnica:

Dramaturgia e direção: Teresa Borges | Assistente de direção: Daniel Aureliano| Elenco: Almir Rosa, Hevelin Gonçalves, Camilo Schaden, Priscilla Carbone, Rui Xavier | Direção de Arte, Cenário e Luz: André Monteiro Pato | Figurino: Éder Lopez | Trilha Sonora:  Eduardo Padovan|

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