SALOMÉ

Com inspirações que passam pela ópera, literatura e cinema, espetáculo solo Salomé reflete sobre papel da mulher na sociedade 

A direção é de Alexandre Magno e a atuação é de Glamour Garcia, uma das mais importantes artistas transex da atualidade. Trama se inspira em Oscar Wilde, Gustave Flaubert, Richard Strauss, além de Norma Desmond (Personagem de Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses, clássico de Billy Wilder) para conceber uma nova criação. Grátis 

Dando voz e poder às mulheres e unindo a plasticidade do corpo, o espetáculo solo Salomé estreia sexta-feira, 8 de abril às 21h na Casa da Luz, centro de São Paulo. A montagem conta com atuação de Glamour Garcia e direção do português Alexandre Magno. A dupla procurou trazer um novo desdobramento da história clássica de Salomé, apontada como a responsável pela execução de João Batista no Novo Testamento. A temporada tem sessões quintas, sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h até 22 de maio.

Por meio do ocultismo e da força do empoderamento feminino, a trama mostra a protagonista realizando um feitiço com o objetivo de ressuscitar João Batista e trazer um novo embate, um acerto de contas que reflete sobre o lugar da mulher no mundo. O solo questiona a marginalidade que a personagem histórica ocupou em mais de dois mil anos.

Durante a criação, a atriz e o diretor tiveram um mosaico de influências: a peça de teatro homônima de Oscar Wilde (1893); o conto Herodias de Gustave Flaubert; a ópera Salomé de Richard Strauss (1905). O espelhamento direto veio também da dançarina americana Gertrude Hoffman (1885–1966). Uma mulher que enfrentou a repressão por suas coreografias ousadas para o início do século XX. No cinema, a inspiração é pela persona de Norma Desmond, personagem de Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950), que pretendia se reafirmar nas telas após o ofuscamento de sua era de ouro. Seu plano era voltar com um novo longa, e claro, seria uma adaptação de Salomé.

“A personagem é um arquétipo, possui uma força cultural e uma representatividade do feminino. Sabe o seu lugar. O solo é como se fosse a história de muitas mulheres, é uma forma de dar voz à todas elas, ir além da beleza, maternidade. Vejo em Salomé muitos preconceitos deterministas que a desumanizaram, tornando-a um monstro que deve ser combatido. Porém, enxergo ela como uma criatividade pulsante de viver e uma expressão dos anseios feministas e delirantes. É uma forma de transmitir ao mundo minha inconformação real com a falta de magia e a sensibilidade de toda nossa existência”.

O diretor ressaltou a metalinguagem existente na concepção deste trabalho. “A montagem foi levantada sem editais ou quaisquer patrocínios, a criação foi calcada somente na vontade fazer. Um diálogo com a própria Salomé que não se encaixa no meio patriarcal com sua rebeldia. É um trabalho onde pensamos em um software assimétrico, por tal, dinâmico e aperfeiçoável. Uma direção que se dá em work in progress, uma criação com buracos de tempo e espaço, que quando trabalhados no processo, encontram-se perguntas, e aí, a prática de respondê-las, por meio da intuição sensível”.

Nos palcos, Glamour Garcia caminha por uma linguagem entre a dança e o teatro em uma performance com ênfase no ato poético. A cenografia traz um aspecto de teia de aranha. Uma simbologia ambígua de aprisionamento e libertação se misturam em cena. Todos os adereços cênicos enfatizam o aspecto intimista e ritualístico de toda a mise-en-scène.

Alexandre Magno destacou os pilares que envolvem a Salomé do espetáculo: “Velha com espírito adolescente repousada no chão, queria estar em outro lugar, viver novas experiências, deitada para sempre, mais uma história, página por página, quanto tempo passou desde que era menina? Uma personagem comum, em contínua empatia pela trama, tomada pelo desejo irresistível, pela necessidade da monstruosidade da figura, da energia, da pele. A emersão da porção mágica, para perfumar de pensamentos a cabeça de João Batista, De Deus, do Homem”.

Salomé estreia sexta-feira, 8 de abril às 21h.

Casa da Luz: R. Mauá, 512 – Centro, São Paulo – SP (Espaço: Varanda)

Telefone: (11) 3326-7274. Capacidade: 25 lugares.

Temporada: Quintas, Sextas e Sábados às 21h, e Domingos às 19h até 22 de maioPreço: Grátis. Classificação: 14 Anos. Duração: 40 minutos. http://casadaluz.org/.

Obs: Abertura de bilheteria uma hora antes do espetáculo. Reserva pelo telefone:

Ficha Técnica:

Direção: Alexandre Magno. Elenco: Glamour Garcia. Cenografia: Rebecca Salloker. Figurino: Gustavo Silvestre. Beleza: Carlos Rosa. Foto: Dudu Quintanilha. Produção: Mariana Castilho

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